sexta-feira, 30 de março de 2007

Evangelho do Dia

30/03/2007 Jesus, o Filho de Deus feito homem - Jo 10, 31-42

Os judeus pegaram pedras para apedrejar Jesus. E ele lhes disse: "Por ordem do Pai, mostrei-vos muitas obras boas. Por qual delas me quereis apedrejar?"Os judeus responderam: "Não queremos te apedrejar por causa das obras boas, mas por causa de blasfêmia, porque sendo apenas um homem, tu te fazes Deus!" Jesus disse: "Acaso não está escrito na vossa Lei: 'Eu disse: vós sois deuses'? Ora, ninguém pode anular a Escritura: se a Lei chama deuses as pessoas às quais se dirigiu a palavra de Deus, por que então me acusais de blasfêmia, quando eu digo que sou Filho de Deus, eu a quem o Pai consagrou e enviou ao mundo? Se não faço as obras do meu Pai, não acrediteis em mim. Mas, se eu as faço, mesmo que não queirais acreditar em mim, acreditai nas minhas obras, para que saibais e reconheçais que o Pai está em mim e eu no Pai". Outra vez procuravam prender Jesus, mas ele escapou das mãos deles. Jesus passou para o outro lado do Jordão, e foi para o lugar onde, antes, João tinha batizado. E permaneceu ali. Muitos foram ter com ele, e diziam: "João não realizou nenhum sinal, mas tudo o que ele disse a respeito deste homem, é verdade". E muitos, ali, acreditaram nele.

Mais uma vez, os judeus compreenderam muito bem. Após a declaração de eternidade (8,58), eles o querem lapidar, “porque sendo homem, ele se faz Deus”, mas é exatamente o que Ele é: Deus que se tornou homem. Longe de se retratar, Jesus estende a filiação divina a todos os seres humanos.
Foi justamente para no-la comunicar que Ele foi enviado. Mas a citação que Ele faz do Salmo 82, aplicado pelo judaísmo contemporâneo ao conjunto do Povo eleito, é compreendido sobretudo sob dois aspectos: Na realidade é um aviso para os que, carentes da compreensão da fé, “compreendem, mas não entendem”, e carentes da Luz, “são envolvidos pelas trevas”, o que acontece justamente com seus adversários.
Ao contrário, aos fiéis, Jesus os reconhece como confirmados pelas Sagradas Escrituras, ou seja, a eles se concede participar da vida divina pela filiação. Orígenes comenta que “há muitos filhos de Deus; no entanto, um é o Filho por natureza, o Unigênito do Pai, pelo qual todos são chamados filhos, como também muitos são os espíritos, mas só há um que procede do mesmo Deus e que dá a todos os demais a graça de seu nome e de sua santificação”. Em que sentido entendemos a participação na vida divina? Da mesma maneira como Jesus fala de sua filiação divina, em sentido próprio, igualmente devemos entender nossa própria adoção filial. Podemos, portanto, dizer que somos convocados, como escreve o Apóstolo s.Pedro, a nos tornarmos “participantes da natureza divina” (2Pd 1,4). A revelação do Mistério trinitário corresponde ao mistério de nossa união divinizante a Cristo.

Fonte: www.padremarcelorossi.org.br

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